
Uma formiga anda pela pia da minha cozinha.
Como nós adoramos dar nome pra tudo, vamos chamar essa formiga de Teresa (não tenho a mínima idéia se ela é macho ou fêmea, mas como formiga é uma palavra feminina, Teresa me parece um bom nome).
Pois bem, Teresa é uma daquelas formigas que ficam procurando alguma coisa (acho que é comida, mas pode ser qualquer outra coisa, né?).
Teresa tem 3 dias, 6 horas, 9 minutos e alguns segundos de vida, mas já trabalha feito gente (opa! “formiga”) grande. Pensando bem, acho que Teresa nem dorme. De bebezinha (formiguinha) até agora, acho que só tem trabalhado. Pega uma migalha de pão aqui, um farelo de biscoito ali, a metade de um grão de arroz que caiu do prato do meu pai no almoço acolá e leva tudo pra um buraquinho que fica do lado do fogão (eu acho que deve ser a entrada de um formigueiro, mas aquela parede branca nem um pouco se parece com aqueles formigueiros que vemos nos gramados).
(...)
(...)
Até que, num movimento quase orquestral, minha mãe abriu novamente a torneira, molhou o pano e depois de dar uma rápida torcida, passou aquele imenso pedaço de tecido úmido sobre o frágil, delicado e desesperado corpo de Teresa.
(um minuto de silêncio)
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Próximo capítulo: “A Dançarina Feliz e O Honesto Alienígena Azul de Cem Quilômetros de Altura”.