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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Leve flerte do meu cortéx cerebral


Dediquei um bom tempo a essa imagem.
"O que vai fazer Maria?" - pensava; mesmo não sabendo sequer o título do quadro, muito menos a graça da vista mulher (se é que a artista a batizou) criei hipóteses, situações, dúvidas...
"Por que vai se matar Maria?" - foi a primeira pergunta que lhe fiz.
Mas vejam só! Por que seria eu tão imediatista? Aprendi tanta coisa e com tanta gente, destilei sobre assuntos pobres, sustentei teorias do nada, inverti a ordem das coisas, das cores. Por que seria eu tão imprudente com este quadro?
Maria criou uma performace, coisa improvisada, irá representar para nós. Maria tem vergonha, mutilada pela guerra dos outros, vive porque gosta de comer doce de batata. Maria é um rosto calado, se enfurna em porões, espera o ar limpar lá fora. Maria ia até se matar, mas desistiu, não sei porque...
Perceberam? Não quero deixar de ter essas outras percepções, não importa que sejam duros julgamentos ou ingênuas pretensões, só quero que sejam muitas. É que as vezes, não apuramos o olhar pra um monte de coisa, isso quando não teimamos numa verdade absoluta que nos cega (deixai vir as abstrações).
E você o que enxerga?
*da imagem só sei que é da Maria Madalena, artista plástica timorlense, apresentada a mim (o quadro não a artista é claro) pela amiga Suelma Costa.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Quem disse?





Eu deveria estar estudando, mas estou aqui escrevendo. Carol também deveria estar estudando, mas está no celular falando com o namorado. Johnny deveria estar estudando, mas está em Goiás, num algo parecido com um retiro.

Ana também deveria, mas já foi para a rua (quem sabe termina a noite em Estakazero). Nina deve estar lá embaixo conversando com a sua avó que chegou há pouco, e nem está pensando em pegar civil hoje. Marchiela está no msn, não estou falando com ela agora, mas acho que também não está escrevendo a monografia. E os outros, Rafa, Cotrim, Sandro, Juki... bom, não sei o que estão fazendo, mas espero, honestamente, que não estejam estudando. Todos deveriam estar se preparando para um vida (que todos sabem onde vai dar), mas não estão.
Não?! E quem disse que não estão?
Eu diria que escrever aleatoriamente é um bom exercício, e assistir a novela desenvolve o nosso senso crítico (ouvi a Carol dando 'pitaco' umas 3 vezes), fugir do 'velho mundo' é desafiador - assusta, mas faz crescer - enfim, 'há tanta vida lá fora...'

Meter a cara no mundo é apredizado, porque 'fica', dá um plus (+): amanhã é outro dia e já seremos diferente de hoje, porque abraçamos as novidades de ontem. (frase de poeta sem talento, rs)

Nunca ouvi dizer, ou melhor, nunca convivi (harmoniosamente) com alguém que ficasse em casa devorando doutrinas jurídicas. Hoje, conversaremos sobre dissolução de união estável e amanhã? Estaremos conversando sobre o prazo prescricional em abstracto dos crimes contra a vida? Não, eu acho que não... a essa hora já dei duas voltas na cantina e você 'tá aí sustentando a tese de não-sei-quenzinho. De repente, você ficou tão desinteressante.

Dormirei aliviada, porque amanhã todos me trarão novidades de suas vidas e de alguma forma estarei com elas em suas experiências (só não me falem daquele capítulo 3 do livro de Maria Helena Diniz, disso eu não quero participar).
Quem sabe, toda essa teoria que desenvolvi é apenas mais uma desculpa esfarrapada para não estar estudando, meu pai disse que não (valeu, pai!). Mas aí, podem pensem o que quiserem. Só sei que eu deveria estar estudando, mas estou aqui escrevendo... e não estou me sentindo nem um pouco culpada por isso.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cai a chuva e molha o meu amor...

Peter finalmente anda fazendo o seu trabalho - mandou para cá chuvas contentes - para o descontentamento de quem tira proveito do calor (o queijinho da praia, o picolé capelinha, a lojinha de biquíni), coitados!
Em poucos dias o clima pseudo-invernal tomou conta da cidade, das pessoas e, principalmente, dos blogs. Os tons estão mais sombrios, os perfumes mais encorpados e as comidinhas mais quentes; também estão preferindo o licor a cerveja, a vá!
'Tô' quase acreditando que está mesmo esse frio todo.

Os agasalhos saem prontamente dos armários ainda cheirando a mofo para deixar as pessoas mais elegantes, porém menos alegres - todos os arroubos humanos parecem se conter dentro de tanto 'pano'. Aliás, o momento que cai a chuva é a hora exata de emergir nossas vontades européias: a sobriedade inglesa, o fondue francês, a literatura alemã, o vinho do porto...
E as pessoas? Caem num poço introspectivo, parecem escolher as palavras, descansam em seus próprios pensamentos; enfim, sem mais aquelas conversas barulhentas de verão, onde todos querem sobrepor sua fala. Agora, escondem-se enquanto outros falam timidamente ou então entregam intimidades em blogs (notei uma grande escalada de produção em blogs de amigos).
No inverno (ainda estamos no outono) mudam-se os planos. Nem praia, nem academia, a 'pegada' agora é ir ao teatro e ao café da livraria. Ficamos mais cultos no inverno? (Sem hipocrisia) Mais pseudos, garanto que sim.

- Vou ficar em casa, ler um livro, tomar um chá, jogar buraco, assistir um filme... europeu, é claro.
- Hum hum, ok!
Se esta teoria estiver certa, sorte a minha! Próximo semestre pego oito disciplinas que acabam antes do 'emburrecimento' do verão.
Neste período as pessoas também estão mais propensas ao relacionamento sério. E nesse friozinho (imaginário) quem não quer ter alguém 'pra' dormir juntinho, fazer comidinha pro amor, cuidar do amor. Desejo legítimo! Tragam mais vinho para nós! E casado com a erudição momentânea trazida pela chuva (e pelo vinho) falar/escrever sentimentalidades pro amor é o mínimo.

Portanto, aproveitem o inverno, amiguinhos! Ele é elegante, é culto, é romântico e, acima de tudo, não faz a gente suar.