terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O amargo gosto do amor (2)

Quem é ateu e viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar
E o coração que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão, não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história

Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Xangô manda chamar Obatalá guia
Mamãe Oxum chora lagrimalegria
Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Obá

(Milagres do Povo - Caetano Veloso)

Cadê você, meu amor?

Por que não aparece mais para dar um alô?

Sei que a vida é uma grande viagem e que agora você está por aí, descobrindo novos mundos, novos modos de ver o mundo, mas volte. De tempo em tempo, volte. Me dê aqui um chero, um beijo e um abraço bem, bem apertado. Me conte por onde andou, o que aprendeu. Aí depois pode voltar pra estrada. Deixando ainda mais saudade, mas também deixando um pouco do seu perfume, do seu carinho, que tanto nos faz falta.

Estamos lhe esperando.

Um beijo!

O amargo gosto do amor

O amargo me ensinou (ou me relembrou) que o amor é a única verdade.

Ele está na perfeição dos meus dedos, da minha mão, do meu corpo.

Está no carinho das árvores, dos sons, das luzes.

Está no gostoso do toque das pessoas.

Cada grão de areia, cada formiga, cada sentimento, cada fato é, no final das contas, a expressão do amor.

Não há fé nisso.

O Milagre, o Mistério, o Deus é apenas isso.

Amor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dois copos e uma porção de dignidade, por favor!


Não queria nada de mais. A solicitação era apenas por dignidade, que lhe começara a faltar.


(...)


Naquele último dia daquele último ano, não havia a suprema face do amor, mas algo digno. Algo que dava para encostar a cabeça de tarde e adormecer sem susto.

Claro que existiam os momentos sublimes. Aqueles que arrepiam a parte de baixo do estômago, mas já não era o constante (não que houvesse qualquer relutância sua em postergar aquela situação).

Não era a companheira de sua vida (eram incompatíveis), mas era suficientemente boa pra ele naquele instante: pés, cabelos, seios, carinho, calor, conforto e algumas promessas.

E isso porque nos invernos passados havia aprendido a valorizar o calor (mesmo quando provinha de uma chama modesta).

O que buscava fundamentalmente era a dignidade do compromisso. Do acordo sério entre duas pessoas sérias e confiáveis (mesmo que aparentemente insanas e inconstantes). Na verdade, era como renunciar parte do amor (talvez a sua melhor parte), porém, como disse, a vida o fez desejar menos.

Claro que queria o fogo, o gozo, o carinho, o mistério, a surpresa, o afeto, o filme de tarde, a mensagem inesperada de amor, a publicidade, a companhia nos lugares agradáveis... Porém uma ou duas destas qualidades, se dignas, já eram mais do que suficientes (culpa da vida).


(...)


E agora? O que queria? Não estaria iludido pelas próprias projeções? Não era ele quem queria tudo o que pudesse desejar? Não era ele quem queria conhecer o mundo, sem deixar saudades? Cadê aquilo que o diferenciava dos demais? Aquela coragem de mudar a realidade, a sua e a dos outros, apenas com amor e criatividade? Tudo havia morrido dentro dele?

Projetado neste seu novo paradigma, percebia, finalmente, que era apenas um vivente, que inspira e expira, mas que persegue sempre o mais elementar que sua dignidade o permite buscar. Apenas isso.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sendo pateticamente complexos, julgaram seus delírios.

Sendo pateticamente chatos, questionaram a sinceridade das suas gargalhadas.

Sendo pateticamente idiotas, destruíram aqueles que você tanto presa.

Sendo pateticamente caretas, condenaram a água, o barro e amor

Sendo pateticamente deterministas, ignoraram que você tem a força de ser Deus, homem, mulher, Cosmos e Damião.

Mas patéticos não entram aqui (sagrada liberdade).

Então sejamos os nossos melhores sentimentos, sem disfarce e sem alarme.

Por que você não vem me dar um beijo?

Na volta pra Terra, pensei: e se os seres terrestres se contentassem com um beijo? E se o “eu gosto tanto de você” já fosse motivo para um beijo, um beijo de amor e de desejo?

Mas subir, descer, entrar, sair faz parte do talento individual de cada um. Temos água de beber, benzer e banhar. Amor para recomeçar e começar novamente uma nova nova identidade.

Então lancemos as peças no xadrez. Tracemos as novas rotas, confiando na proteção de São Jorge (Ben).

E isso porque eu gosto tanto de você.

Mas o mago se esqueceu de avisar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Primeiro raio de sol!


Dono do abandono e da tristeza
Comunico oficialmente
Que há lugar na minha mesa
Pode ser que você venha por mero favor,
Ou venha coberto de amor

Seja lá como for, venha sorrindo
Ah, bem-vindo, bem-vindo, bem-vindo!

Que o luar está chamando,
Que os jardins estão florindo
Que eu estou sozinho

Cheio de anseio e de esperança,
Comunico a toda gente
Que há lugar na minha dança
Pode ser que você venha morar por aqui,
Ou venha pra se despedir
Não faz mal pode vir até mentindo

Ah, bem-vindo, bem-vindo, bem-vindo!

Que o meu pinho está chorando,
Que o meu samba está pedindo

Vem iluminar meu quarto escuro,
Vem entrando com o ar puro
Todo novo da manhã

Bem-vindo, bem-vindo, bem-vindo!

Que essa aurora está custando,
Que a cidade está dormindo
Certa de estar perto da alegria,

Comunico finalmente
Que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha um carinho para dar,
Ou venha pra me consolar
Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda

Ah, bem-vindo, bem-vindo, bem-vindo!

Ah, que bom que você veio,
E você chegou tão lindo
Eu não cantei em vão

Bem-vindo, bem-vindo, bem-vindo,
bem-vindo, bem-vindo no meu coração!
Chico Buarque

Lista de Pedidos pra 2011



Em 2011, eu quero Atenção
Quero que os Antigos voltem
e que os Novos apareçam (um =D para Net e Debi).
e que se Multipliquem (*)

Quero voltar a ser a página inicial da galera
Quero comentários, cores, animo, idéias, gastações, postagens freqüentes
E se não for pedir muito, quero uma cara nova (assunto pro Lobo cuidar).
Acho que é só isso.
Feliz 2011!

Templo meu...


Meu corpo é esse templo

Completo e de arquitetura vanguardista

Nele guardo todos os possíveis encontros e desencontros

Respeitando uma moda

Que ora vela pelo amor, ora vela pelo amado

Contente pelo fato

Da existência ser permanente

E de não haver necessidade

De incenso ou mirra

Pra nutrir meu ambiente


Um templo respeitável

Corpo meu,

bem desenhado

De curvas e simetrias impares

Onde a física permite união sedenta

Com tantos outros templos


O respeito ao templo meu

Perpassa as vinte e quatro horas

Perpassa as estações

Sobrepõem-se aos minutos


O cuidado do corpo meu

Se dá por amor ao construtor deste meu templo

Que me ensinou de forma deveras estranha

Que meu templo é singular e incerto

Respeitoso e honrável a qualquer outro templo apresentado