terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O homem; as viagens



O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Coração de cortiça!



Numa caixa de cortiça,
Meus passos andam para trás,
Meus movimentos se desfazem como fumaça,
Choro velado contido,
De porta fechada,
Derramo meu pranto,
Me acho um tanto,
Mas não tenho forças...

Sofro calado,
Infelizmente...não sou parte disso,
Não sei o que faço,
O que tem de errado,
Nem sei onde vou,
Meus nervos já não são mais de aço,
O que quero, o que acho,
Também não mais importa.

Me escorre o corremão,
Minha base não me leva ao chão,
Cega me bambeia as pernas,
Me cambaleia prumo beco sem luz,
À caminho da insegurança,
O que ando fazendo por mim?
O que diabos tenho feito com minha vida?
Revisto de cortiça meu coração.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SOMOS QUILOMBO RIO DOS MACACOS




O capitalismo acordou muito descarado neste ano de 2012.
O Poder Judiciário brasileiro vem, de Pinheirinho em Pinheirinho, de Bello Monte em Bello Monte, de Quilombo Rio dos Macacos em Quilombo Rio dos Macacos cometendo crimes contra a humanidade dentro do território nacional.
Decisões ilegais, inconstitucionais e criminosas proferidas por magistrados a serviço do capitalismo na sua versão mais sanguinária.
Assistam, curtam e compartilhem este vídeo. Isto está acontecendo em Simões Filho/Ba, município que fica do ladinho de Salvador. Uma decisão judicial absolutamente ilegal, absolutamente criminosa. A Marinha do Brasil está praticando turbação de posse, crime de ameaça, crime de lesão corporal e tantos outros.
Entendam toda gravidade da questão.
O Poder Judiciário brasileiro profere uma decisão ilegal para atender aos interesses particulares (e criminosos) de membros da Marinha do Brasil – instituição do Poder Executivo. Não é apenas a violação do direito de moradia, vida, liberdade, incolumidade e posse destas pessoas, mas a consagração (sem nenhuma vergonha na cara) da criminalidade institucional do Estado brasileiro.
Pinheirinhos, Quilombo Rios dos Macacos, Bello Monte etc são sintomas, tristes e bizarros sintomas, de uma das fases mais tristes da nossa capenga democracia. Não temos mais partidos políticos fortes de esquerda. Não existem opositores no Congresso Nacional. Quem está se opondo a quem? Que setores sociais (realmente) estão em disputa hoje na política institucional brasileira? Respondo: pecuaristas de uma sigla “contra” pecuaristas de outra. Banqueiros de uma sigla “contra” banqueiros de outra”. Ruralistas de uma sigla “contra” ruralistas de outra.
Nossos sindicalistas no planalto hoje apenas se preocupam com suas próprias questões, com seus conchavos políticos (os pragmáticos de “esquerda”) e com seu próprio ego (vide a bizarrice que Lula está fazendo em São Paulo no seu chamado Memorial à Democracia, no terreno da antiga cracolândia doado por Kassab).
Vivemos um triste tempo, mas também um momento propício para o surgimento de uma nova consciência política no Brasil. Somos a maioria. Temos meios rápidos de troca de informação e denúncia, então precisamos reagir.
Minha sugestão: alguém descubra o nome do juiz(a) que concedeu a decisão de reintegração de posse neste caso do Quilombo Rio dos Macacos. Joguem o nome dele(a) no Google, Facebook etc. Descubram quem é esta pessoa e coloquem um cartaz de procurado nas redes sociais. De fato, é um(a) criminoso(a) que precisa ser denunciado. Se a decisão subiu para o Tribunal de Justiça, descubram o nome dos desembargadores que votaram pela permanência da decisão.
Quem são estes magistrados? Não é muito difícil conseguir estas informações.


No mais, divulguem este vídeo, denunciem os absurdos que estão sendo cometidos pelas autoridades brasileiras e manifestem-se. O silêncio, neste caso, é conivência.


A expulsão dos moradores do Quilombo Rio dos Macacos está marcada para o dia 4 de março de 2012. 

SOMOS QUILOMBO RIO DOS MACACOS






quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Espiritualidade e moralismo


Espiritualidade e moralismo são caminhos opostos.

A primeira é libertação, o segundo é aprisionamento mental.
Se sua espiritualidade está cheia de regras tolas, de preceitos vazios, de limitações sem sentindo; então não se trata de um caminho verdadeiramente espiritual.
Espiritualidade é liberdade, vento no rosto, sorriso de criança. É aventura, alegria, contentamento, poesia, nervos soltos e cabeça aberta.
Se segues obediente um livro de receitas prontas, então é escravo do irracional.
Se seu Deus é seu, se sua fé é cega, se sua prática espiritual pode se definir com algum “ismo”, então é apenas mais um escravo do irracional.
Não leia mil livros, não siga mil mestres: siga apenas seu coração. Seja como o vento, como o mar, como um animal livre na floresta. Seja um Adão nu no paraíso do conhecimento original...
Deixe que o som das batidas de seu coração desnude toda a máscara ideológica que enfeia sua verdadeira personalidade.
Apenas seu coração conhece o seu verdadeiro caminho espiritual. Palavras, mesmo as mais bonitas, são ilusão. Pensamentos, mesmo os mais felizes, são ilusão. A verdade é o som do silêncio interior, das batidas do coração puro e as sensações antes das interpretações mentais.
Busque sua essência, o silêncio e seu estado mais puro e verdadeiro.
Métodos, regras abstratas de conduta e preceitos inventados, por mais lógicos e “sensatos” que possam parecer não conseguem guiar um caminho verdadeiramente espiritual (regras podem até guiar um caminho religioso, mas jamais um caminho espiritual).
Permita-se à liberdade. Permita-se encarar o Mistério sem tentar desnudá-Lo. Deixo-O assim: misterioso. Não acredite Nele. Não diga nem que Ele é “ele”, ou isso, ou aquilo. Apenas contemple-O em silêncio, sem procurar respostas, sem pretender fundar doutrinas, seitas ou religiões.
As muletas não permitem o verdadeiro crescimento interior. Óculos emprestados não permitem a verdadeira busca interior.
Quando o Pai é o sol e o vento, e a Mãe é a terra e a brisa, como pensar em “acreditar” ou ter “fé” em qualquer coisa?
Quando sua religião for apenas o mais puro e verdadeiro AMOR, então toda moral inventada mostrar-se-á grão de areia insignificante em meio a imensidão do Absoluto.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Extremo!


Se salgado ou meio doce
só não pode tá azedo;

De palpitar ou ninar de leve
só não pode tirar o sono;

Do sim ou não
de vez em quando há ve ser talvez...

Mas de leal não tem porque
vez ou outra virar as costas...
cortar o laço ou gerar um nó.

Nem mesmo há de passar sem pedir licença
sair trotanto, tremendo o chão, bagunçando o caminho.

E é expresso, não precisa ser gritante, apelante, inquietante...
Se tem início, o meio é consequencia... e o fim é do universo!

E nunca, nunca adquire permissão de ser desrespeitoso,
intrometido ou afiado além do que lhe cabe.
Se é curioso, va lá, mas pedante? Não, não há espaço.

Que as pernas que te dou sejam usadas para os passos largos adiante...
não para, cruelmente, cravando pegadas no chão
achares seu um território que não lhe cabe!

Que os braços que te envolveram e disseram adeus
mostrem-te um parto, um au revoir.
Eles não te conferem poder de segurar-me o pulso.
Doi, sabia?

E o meu coração? Há, esse não é terra inóspita...
Ao revés do que se pensa, é terra por vezes acolhedora demais,
exceto a aqueles que já foi dado espaço de sobra
e do mal uso fez perecer o direito,
e da boa vontade fez padecer o querer.


*imagem e título: Mayara Mutti

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012




Aos meus cosmonautas ele é perfeito pra todos do cosmos..
chorei de alegria ao ver o vídeo!!

Assistam!!!!!

Do Amor - por Letícia Sabatella




É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário

(Viver do Amor
Chico Buarque)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Aliança Lula-Kassab



Como é isso companheiros petistas?
Cadê a juventude do PT?
Coloquem fogo neste partido, mas não fiquem parados diante de algo assim...

Um dos fatos mais tristes da história recente do país é a não existência de esperança na política representativa brasileira. Antes de Lula, era gostoso sonhar com um Brasil vermelho, governado por um partido de TRABALHADORES. Mas isso, infelizmente, acabou!
Não existe mais partido dos trabalhadores. Existe partido dos trabalhadores que ficaram ricos e mudaram de lado.
Nosso PCdoB, nosso partido comunista, é quase uma quadrilha da burguesia burocrática (vide a hedionda venda do PCdoB aos ruralistas/pecuárias no caso do Novo Código Florestal).
A figura mais importante da história política do Brasil da minha geração (Lula), tornou-se isso aí. Nasci em São Bernardo do Campo, e me lembro como hoje quando eu e minha família íamos pra frente da casa de Lula no final de todas as eleições presidenciais. Era uma tristeza geral, mas havia uma esperança gostosa de que este país tinha alguém em quem confiar. Que pena. Isso acabou!

Hoje é fácil ver que Lula e o PT de 2002 apenas foram a forma que o Capital encontrou de realizar as reformas neoliberais que FHC não estava mais conseguindo dar prosseguimento. Uma figura mítico-carismática, medidas de contensão popular (bolsa-família etc) e o Capital entrando livre em todos os mínimos aspectos da sociedade e do Estado brasileiro.
Não precisam mais privatizar, agora usam Parceria Público-Privada (a coisa já nasce privatizada). Sofisticação, meu brother!
Se duvidam do que estou falando, olhem para o país: quem consegue sair de Salvador sem pagar pedágio? Os maiores aeroportos sendo privatizados e por aí vai.

Dizem, apenas dizem mesmo, que isso faz parte de algum plano revolucionário: balela absoluta. Greve de policiais em todo o país, agronegócio comendo no centro (somos os maiores produtores de trangênicos do mundo), o "companheiro" Jaques Wagner anunciando que irá diminuir o salário dos professores...
Muito mais longe da revolução, estamos é no estado máximo do capitalismo no Brasil.
Sem sindicatos fortes e isentos, sem partidos políticos de esquerda com alguma chance de poder, sem organização popular que chegue a assustar o capitalismo.
Bancos roubando sem parar, a elite sulista ganhando dinheiro sem parar (e agora com o apoio do nosso papai do povo, Lula).

Não há mais o que se disputar dentro do PT. Se ainda acredita na política representativa, então que saia do PT e funde outro partido. O PT, enquanto projeto político popular, acabou. Não existe mais.

Triste PT. Tristes petistas. Triste povo brasileiro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

AUMMMM...


Mulheres ricas?


Muitas e muitas pessoas passam a vida perseguindo a realidade vivida por estas mulheres ricas do programa.
Agora assistam o programa com atenção (alguns minutos bastam)
Elas realmente são mulheres ricas?
Realmente há riqueza neste estilo de vida?
Sinceramente, eu apenas consegui ver ali muita, muita, muita miséria. Muita, muita, muita pobreza. Pessoas realmente perdidas precisando muito, muito, muito de ajuda.
Excesso de riqueza material definitivamente não trás felicidade. Apenas excede. Enlouquece a mente humana e transforma pessoas em seres absolutamente vazios, abestalhados, desinteressantes.
Essas mulheres ricas não têm amigas (elas se odeiam). Não tem relações amorosas sinceras (vejam lá no programa). É tudo interesse, futilidade e vazio espiritual.
Elas não conseguem mais perceber o valor das coisas e do trabalho humano. Elas não conseguem mais ter relação de valor com nada, porque o excesso tirou-lhes completamente a noção da realidade.

Agora, o mais triste, é que toda aquela abestalhação e ignorância têm um preço. Alguém precisa pagar a conta (literalmente). E não tenham nenhuma dúvida: aquele estilo de vida é sustentado através da exploração direta ou indireta de milhares e milhares de pessoas e animais.
É a infelicidade geral sustentando a infelicidade individual. Erro sustentando erro. Tristeza física sustentando tristeza espiritual.
Algo assim é insustentável.
Como isso irá acabar (porque irá acabar)?
É infantil, tolo, imaturo, mas não é brincadeira. Gente sofre pra aquilo existir. Gente tem sua força de trabalho roubada (expropriação mediante violência – institucionalizada, mas violência). O Estado moderno (apenas tido como democrático) é que mantém isso.
Não precisa ser Karl Marx pra perceber que isso é uma guerra, uma luta e que terá fim, porque é essencialmente injusta e contraditória. A Revolução econômica (parte essencial da Revolução que tirará este mundo do caos) terá que acontecer de uma forma ou de outra.
Enfim. Pobres mulheres ricas. Pobres dos pobres explorados por estas mulheres ricas.
E mais pobres ainda são aqueles que jogam a vida fora perseguindo uma realidade tão, tão bizarra. Tão, tão triste, vazia e infeliz.