sexta-feira, 30 de março de 2012

Tá bom

"Senta aqui que hoje eu quero te falar
Não tem mistério, não
É só teu coração
Que não te deixa amar
Você precisa reagir
Não se entregar assim
Como quem nada quer
Não há mulher, irmão, que goste desta vida
Ela não quer viver as coisas por você
Me diz, cadê você ai?
E ai, não há sequer um par pra dividir

Senta aqui, espera que eu não terminei
Pra onde é que você foi
Que eu não te vejo mais?
Não há ninguém capaz
De ser isso que você quer
Vencer a luta vã
E ser o campeão
Pois se é no "não" que se descobre de verdade
O que te sobra além das coisas casuais
Me diz se assim está em paz?
Achando que sofrer é amar demais"

Feminismo ou "mulher"ismo?



A luta feminista, pela liberdade das fêmeas, do útero, da maternidade, da procriação livre e do feminino é a chave da verdadeira Revolução.
O capitalismo é um sintoma do masculino em desequilíbrio. É o masculino que estupra (índias, negras, vacas, porcas, galinhas). É o masculino cuja força é usada para o domínio e a exploração.
O feminismo não é apenas a luta das mulheres. É a luta pelo reequilíbrio. É a luta pela defesa do útero, do ventre, da mulher livre, da vaca livre e do feminino livre - em todos os seus aspectos.
O feminino é um aspecto do Universo. É o complemento necessário do masculino. Nenhum pode se expressar em harmonia suprimindo ou negando o outro.
Animais machos da espécie humana também são expressões do Feminino. No entanto (e é aqui onde reside uma das principais fontes do caos deste nosso mundo), o feminino é constantemente negado e violentado.
É a mulher que masculiniza sua alma para se tornar "forte" neste mundo machista.
É o animal macho da espécie humana que luta contra sua própria natureza, sua própria essência feminina, tentando exercer o papel social a qual fora educado a reproduzir.
É uma sociedade humana machista que vê a Terra, a Mãe, como um recurso a ser explorado, domesticado e domado.
É a pecuária: o controle do útero, da maternidade e da vida de BILHÕES de animais não-humanos.
A emancipação do feminino necessariamente passa pelo fim da própria lógica da exploração (de homens, mulheres, vacas, bois, porcos, porcas). Não é ter uma presidenta. Não é ter mulheres nos mais altos cargos. É algo muito mais profundo e transcendente.
O feminismo é a luta pela mudança da lógica que baseia todas as relações humanas (com todas as pessoas, animais e vegetais etc). Ela é externa e é interna. É das mulheres e é dos homens. É para os animais humanos e para os animais não-humanos.

Rafael Figueiredo



Animais domesticados



Desde pequeninos, a domesticação.São nestes primeiros momentos da existência que o animal dentro deles é brutalmente assassinado.Nos momentos seguintes, já dentro da anormalidade padrão, seus corpos crescem para atender a fome da Tirania.Alguns, os mais fortes, brigam desesperados por alguma fuga.Classificam-no de “louco” e partem para as soluções químicas. Às vezes nascem frangos, outras vezes nascem vacas, porcos ou humanos.Não importa tanto.São almas a serem domesticadas para servir aos anseios do tirano. Com os animais da espécie humana, eles são mais “cuidadosos”: são bichos fortes demais!Para a domesticação, usam escolas, televisão e outdoor de propaganda.Dão-lhe jaulas maiores, alguns “benefícios” trabalhistas (às vezes), policiais e forças armadas.Já com os animais mais fracos, sem chance alguma de reação, a brutalidade não encontra nenhum limite. Só existe uma luta, só existe uma causa.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Se está amando pode!


Se está amando, pode!
Se está amando, está amado!
Selado está!
Não adianta chorar,
Espernear,
Estão se amando...
Não é pra entender,
Nem questionar,
É amor!
E contra o amor meus amigos, irmãos,
Nem me atrevo a cair na mão, (ogum que tenho)
Dois contra um.
Vai encarar?
Hey, só nos resta amar,
Esquecer a razão e amar se noção!

sábado, 24 de março de 2012

Fábula: O pingo e a gota


O pingo e a gota de orvalho se apaixonaram;
Anunciando a chegada da estação;
Umidade e tensão no ar;
Tempestade que vai molhar;
Desaguar esse rio que mora lá no céu.

Cai não! Fica bem perto assim;
Não deixe que o vento te leve para longe de mim;
Ficamos grudados, molhados até o fim.

Quero morar lá no céu;
Perto do sol e da lua;
Se um dia a gente cair;
Que seja na mesma rua.

Quero morar lá no céu;
E viajar no cometa;
Levando pingos de amor;
Gotas de paixão ;
Para todo o planeta.

PS: Antes de música de axé é uma poesia

Não, não.

Eu vim mesmo foi pra descontruir!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Elegia 1938



Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes o calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre os mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 20 de março de 2012

Tempo de Amor




"Ah, bem melhor seria
Poder viver em paz
Sem ter que sofrer
Sem ter que chorar
Sem ter que querer
Sem ter que se dar

Mas tem que sofrer
Mas tem que chorar
Mas tem que querer
Pra poder amar

Ah, mundo enganador
Paz não quer mais dizer amor

Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais

O tempo de amor
É tempo de dor
O tempo de paz
Não faz nem desfaz

Ah, que não seja meu
O mundo onde o amor morreu"

Todo Cambia - Mercedes Sosa

"E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho."

Seja bem vindo, Outono de esperanças.
Viva sempre a nossa Pachamama!