quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ai de você que não entenda a poesia desse vento que lhe toca a pele
É a sensação que arrepia sem esforço
É o pedaço de saudade que desassussega a alma
É vontade danada, repentina...de desejo que chega arde.

Ai de você que não reconheça o que há de música em meus silêncios...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012



"Dia a dia, peça a peça, quebra-cabeças
E a imagem que vai se formando
Tempestades, calmarias, busca isessante
E o barco segue navegando, santa paciência

Ponto a ponto, guerra e trégua nos bastidores
O palco se transformando
Ponto a ponta, luz e treva, composição
Compostos se abraçando, jogo e natureza

Jogo e natureza, jogo e natureza"

Pílulas de Lucidez...


Só sendo muito louco
pra acreditar em Horóscopo...
e só estando muito apaixonado
para além de ver o seu,
acompanhar o dela.



                               

sábado, 18 de agosto de 2012

O amor é líquido



O amor é líquido, como a chuva e a lágrima. Como quando saio de casa de manhã cedinho e sinto o cheiro a umidade da chuva que virá. Como quando numa madrugada de vinho e amizade, a tormenta se aproxima devagar e de repente o céu de nuvens se ilumina de raios escondidos e esperamos com ansiedade curiosa o barulho do trovão que com certeza virá. A certeza de que virá e será mais alto que o anterior – ou não –, mas virá, e é depois, porque somos tão pequenos nessa imensidão de universo, e somos tão grandes nesse universo dentro de nós. E aí é quando a terra se acalma, se amansa, se molha na sua secura diária, se assenta e se reconhece terra. Mas é noite e a chuva também mata muita gente, e alaga as ruas e inunda as casas. E sempre que chove me vem esse mesmo desejo inocente de que a chuva caia leve e paciente para todos e todas. Porque ela é linda, e não pode ser que a beleza sempre tenha que vir acompanhada da dor. Tanto que esperávamos por ela, disso se falava pelas ruas, “que llueva, que llueva”, e a terra se assenta um pouco. Eu me assento, porque olho o pátio, e a gata, assustada, brinca com as gotas que caem. Escuto o barulho da chuva nas plantas e a risada do Dani, coloco Piazzolla no rádio porque me parece que é música feita pras noites de tormenta. Me assento e me acalmo, porque a chuva é líquida e simples como o amor, e a gente só aceita e ri e chora e luta.

O amor é líquido como quando choro, e o sentimento vira água salgada que brota dos meus olhos e me molha a cara, me assenta o rosto, e é sentimento materializado líquido: aquele nozinho que se forma no peito, mais lá dentro que o coração, naquele dentro infinito que senti um dia como o universo – o universo infinito que habita dentro de mim. Esse nó vai subindo e vai se desatando, com paciência e sem pressa, como quem caminha pela minha garganta querendo e sabendo sair. E sobe, sobe até a cabeça, se concentra nos olhos por um segundo para então se desfazer – e se formar lágrima, gota, rio de água salgada, cachoeira de mim. E lava, limpa, chove e assenta.

O amor é líquido como a Ayahuasca, o suor, o amor. Como quando entro no mar e esqueço quem sou; como quando entro no rio e já não tenho corpo, porque sou água que me leva com a correnteza e eu vou, lenta e precisa, conhecendo montanhas e corpos, banhando pedras e folhas. E às vezes sou mangue, outras sou lago, e sempre sempre deságuo no mar. É assim como mergulhar no amor, todos os dias; lembrar que o amor é líquido, é sangue vermelho fluindo, é a água para o mate ou o café, é aquela vontade de nascer e crescer, mas também às vezes voltar para a barriga da mãe – mergulhada em amor.

Mergulhar no amor todos os dias de nossas vidas.

domingo, 5 de agosto de 2012

Sei lá...sei lá...


Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.

A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.

De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.

Toquinho e Vinícius

Abraço de árvore!


Abraço de árvore para todos!

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Eu não sou amante de demonstrações públicas de afeto, Mesmo assim eu preciso te dizer essas meia verdades, Só tenho metade da verdade pra te oferecer, vez que não bebi  da sabedoria do mundo.Não gosto das pessoas ao seu entorno, não aguento mais ouvir falarem mal de vc, ou falarem que falaram mal de vc, não aguento mais vc em más companhias (sim, elas existem), não aguento vc perto de quem não te ama. Todo o foco na sua vida é o outro, sim, isso poderia ser nobre mas é degradante...  Não ver o outro arcar com suas consequências, ver você se desesperar, vc chamar de amiga ou de amor já chega a me dar ojeriza...todo o respeito se dissolveu, passo por sérias crises de consciência e vc enxerga tudo ao seu entorno, menos a mim. É como se o amor que eu te dedico crescesse e minorasse. É como se todo o meu querer bem estivesse por se esvair. Eu te amo, te quero bem, mas eu não concordo com nenhum passo ou escolha sua. Nem devo, não sou tua voz de consciência. Então eu apelo, seja ao bom senso, a força ou antipatia, mas vc me olha e não me vê... Da mesma forma sutil que te abordei antes, novamente me apresento. Te peço desculpa, não concordo com as suas escolhas, deve ser culpa da ojeriza. Dorme, divaga e pensa, só não esquece de acordar!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Soneto do amigo


"Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."

Vinicius de Moraes

Feliz dia do amigo, queridos.