sábado, 4 de maio de 2013

Pés e mãos



"Não basta ser beija-flor e viver na altura dos nossos sonhos
Não basta ter o coração em chama de larva dourada
As mãos e os pés necessitam dançar a valsa da terra molhada, do chão pisado e batido
Lá, das profundezas do magma dourado
A mãe antiga abençoa cada destino, de cada filho teu:
Segue menino broto dourado, seus pés descalços são para criar raízes em mim,
Suas asas são para tornar-te pássaro, quando necessário for, beijar as estrelas.
Assim, idéia e ação, mente e coração, asas e sandálias, pés e mãos,
Orientam os nobres filhos de deus a tecer a encantada e misteriosa rede da vida.
Um sem o outro é ponto, um com o outro é linha a ser tecida de possibilidades infinitas...  
Criamos em ninhos dourados no alto dos nossos sonhos aquilo que nossa mão toca e vira ouro
Vivemos as estórias das nossas próprias bonecas de pano, em vida!
Assim, de lá e de cá,  do alto e de baixo, da raiz e dos galhos
Dessa força alquímica profunda de sorrir e  de chorar, de parir e erguer-se, de tocar e pisar, de pensar e sentir
Nasce a certeza de que o caminho dourado se faz na medida em que cada ponto e linha
Dessa grande colcha tecida e bordada da vida,
Contém o néctar de nossas flores dalma desabrochadas
Para servir ao nosso máximo propósito: virar flor para doar-se mel e receber do sol dourado,
O amor de deus pai e da deusa mãe - bicos de beija flor e zunidos carinhosos de abelhas."
(Decio Vianna)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Transbordem de amor, como eu transbordo de Maiakóvski em "Comumente é assim"

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha. Vladimir Maiakóvski

Transbordem de amor, como eu transbordo de Vinicius em "O haver"



O Haver


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura

essa intimidade perfeita com o silêncio.

Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.

Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.

Resta esse antigo respeito pela noite

esse falar baixo

essa mão que tateia antes de ter

esse medo de ferir tocando

essa forte mão de homem

cheia de mansidão para com tudo que existe.

Resta essa imobilidade

essa economia de gestos

essa inércia cada vez maior diante do infinito

essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível

essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons

esse sentimento da matéria em repouso

essa angústia da simultaneidade do tempo

essa lenta decomposição poética

em busca de uma só vida

de uma só morte

um só Vinícius.

Resta esse coração queimando

como um círio numa catedral em ruínas

essa tristeza diante do cotidiano

ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada

passos que se perdem sem memória.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza

essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido

essa imensa piedade de si mesmo

essa imensa piedade de sua inútil poesia

de sua força inútil.

Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado

de pequenos absurdos

essa tola capacidade de rir à toa

esse ridículo desejo de ser útil

e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade,

essa vagueza de quem sabe que tudo já foi,

como será e virá a ser.

E ao mesmo tempo esse desejo de servir

essa contemporaneidade com o amanhã

dos que não tem ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar,

de transfigurar a realidade

dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é

e essa visão ampla dos acontecimentos

e essa impressionante e desnecessária presciência

e essa memória anterior de mundos inexistentes

e esse heroísmo estático

e essa pequenina luz indecifrável

a que às vezes os poetas tomam por esperança.

Resta essa obstinação em não fugir do labirinto

na busca desesperada de alguma porta

quem sabe inexistente

e essa coragem indizível diante do grande medo

e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer

dentro da treva.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos

de refletir-se em olhares sem curiosidade, sem história.

Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho,

essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento

esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.

Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços

e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte

esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada,

ela virá me abrir a porta como uma velha amante

sem saber que é a minha mais nova namorada.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Questão de luz!


Uma questão de luz!
Uma questão de iluminação!
As coisas se transbordam,
Enchem o vazio,
Transformam em emoção,
Tudo que embala,
E segue com amor!

terça-feira, 19 de março de 2013

Recomeçar



Não importa onde você parou,
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar". 
Recomeçar é dar uma nova 
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.

Chorou muito?
Foi limpeza da alma.

Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.

Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.

Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de apender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?

Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.

Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para "chegar" perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.

Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.

Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.

Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da Faxina Mental.

Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.

Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o "Amor".

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 18 de março de 2013



Não se desespere. Você não é seu pensamento.

                     Seus pensamentos não são seus pensamentos.

                      Você é existência,  consciência e felicidade!

DA RELIGIÃO

Olá amig@s do Cosmos,

Pela primeira vez, peço licença para compartilhar um texto com vocês.

É um trecho de um livro muito especial que estou lendo, chamado "O profeta" e escrito pelo grande poeta libanês Gibran Khalil Gibran. É a história de um homem que, ao despedir-se de uma cidade, discorre com sabedoria sobre vários temas que lhe são colocados.

Desejo que se aprofundem no sentido dessas palavras. Bom proveito! Paz.

"E um velho sacerdote disse: Fala-nos da Religião. E ele disse:
Falei hoje de outra coisa?
A religião não é todos os feitos e toda reflexão,
E que não é nem feitos nem reflexão, mas uma maravilha e uma surpresa que surgem continuamente da alma, mesmo quando as mãos talham a pedra ou trabalham no tear?
Quem pode separar sua fé de suas ações, ou sua crença de suas ocupações?
Quem pode distribuir as horas à sua frente e dizer: "Isto é para Deus e isto é para mim; Isto é para minha alma e isto é para meu corpo"?
Todas as vossas horas são asas que batem através do espaço, de ser em ser.
Seria melhor que aquele que usa sua moralidade como sua melhor roupa andasse nu.
O vento e o sol não farão buracos em sua pele.
E aquele que define sua conduta pela ética aprisiona seu pássaro que canta em uma gaiola.
A canção mais livre não vem através de barras e arames.
E aquele para quem a adoração é uma janela, para ser aberta e também fechada, ainda não visitou a casa de sua alma, cujas janelas estão abertas da aurora até a aurora.

Vossa vida diária é o vosso templo e a vossa religião.
Quando entrardes nela, levai convosco o vosso todo.
Levai o arado, a forja, a marreta e a harpa,
As coisas que fabricastes por necessidade ou gozo.
Pois, em verdade, não podeis elevar-vos acima de vossas realizações nem cair mais baixo que vossos fracassos.
E levai-os todos convosco.
Pois, na adoração, não podereis voar mais alto que suas esperanças nem humilhar-vos mais abaixo que seu desespero.

E se conhecereis a Deus, que Ele não seja, portanto, o que resolve charadas.
Mas olhai ao vosso redor e O vereis brincando com vossos filhos.
E olhai para o espaço; O vereis caminhando nas nuvens, estendendo Seus braços no relâmpago e descendo com a chuva.
Vós O vereis sorrindo nas flores e elevando-se e abanando Seus braços nas árvores."

quinta-feira, 7 de março de 2013

Lakshmi



"A dança das polaridades é uma constante em nossas vidas: dar e receber, rir e chorar, ser e não ser, positivo e negativo; desse modo, cada um carrega dentro de si um espectro colorido de energias. Aceitar e expressar todos esses aspectos é viver a integridade consciente de que somos canais para a expressão viva de nosso Espírito.

Na integridade do meu ser, experimento e expresso a dança da vida."

(Meditando com os Anjos, p. 50)